Oratória: desenvolvendo sua eloquência na prática

Por André Luiz Dametto


Ao pensar em Oratória qual é a sua primeira sensação? Muitas pessoas ainda associam este conteúdo a pirotecnias de palco ou técnicas de manipulação. Segundo a Wikipedia, a Oratória é a arte de falar em público de forma estruturada e deliberada, com a intenção de informar, influenciar ou entreter os ouvintes. Ela contempla um conjunto de regras e técnicas para produzir e apresentar um discurso, apurando as qualidades pessoais do orador. Ou seja, todos podemos nos beneficiar desta sabedoria, e neste artigo aprenderemos técnicas rápidas que nos auxiliam no dia a dia.


A arte de falar em público pode ser o propulsor de carreiras e negócios. Uma pessoa com a oratória desenvolvida consegue pensar mais rápido, com mais segurança e fluidez. O bom orador desperta a atenção do público e, mais que isso, causa-lhe bem-estar. Em tempos de tanta turbulência, um bom discurso certamente pode ser o fator que diferencia a sua experiência da concorrência.


O primeiro registro deste treinamento vem do Antigo Egito, mas se consolidou 2.000 anos a.C na Grécia Antiga, onde era estudada como uma importante habilidade para a convivência em sociedade. Naquela época não havia uma profusão de advogados, então quem quisesse se defender em um tribunal deveria aprender como falar em público.


Dentre os pensadores que se destacaram no tema estão Aristóteles e Cícero. No Império Romano, ela foi aprofundada, incluindo instruções em gramática e declamação. Até os dias de hoje há grupos e locais dedicados à prática da Oratória. Em Londres é possível encontrar pessoas que utilizam o Speaker’s Corner (Recanto do Orador), um espaço no nordeste do Hyde Park, onde qualquer cidadão pode discursar, assim como fizeram Karl Marx, George Orwell e Vladmir Lenin. E aí, você teria coragem de falar sobre qual pauta?


Muito mais do que técnicas de discurso, um bom orador deve possuir criatividade, disposição, memória e boa dicção. Ou seja, é uma jornada de desenvolvimento contínua e com moderação: qualquer exagero retira todo o encanto do discurso, aproximando mais o autor da figura de charlatão, e não de efetivo orador. A boa oratória equilibra os princípios da eloquência (capacidade de persuadir) com a teoria da retórica (capacidade de se expressar pela palavra). Para bem falar, é necessário bem pensar, mas também bem sentir, um viver de acordo com o que se acredita.


Para quem decidir iniciar esta “jornada de equilíbrio” recomendo uma boa dose de humildade – como já disse o filósofo, só sei que nada sei. Quanto mais nos dominarmos mais perceberemos o quanto ainda temos para aprender. Mas atenção: que esta humildade não se transforme em auto sabotagem – só avançaremos experimentando e testando nossos limites. E tudo começa com autoconhecimento: reconhecer suas fortalezas ajudará você a entender onde seu discurso é potente, verossimilhante e engaja a audiência.


Um bom discurso também deve ser claro, breve e fazer sentido. Se houver algo redundante ou que atrapalhe a compreensão, considere a correção. Um bom orador também deve ser capaz de influenciar as emoções dos seus ouvintes, e isso vai muito além de meramente informá-los. Por isso o uso de recursos como histórias de superação ou anedotas humorísticas têm forte apelo entre os mais diversos tipos de plateia. Para desenvolver nossa capacidade de persuasão, Aristóteles recomendava considerar três pilares: a credibilidade do orador (ethos), a emoção despertada na plateia (pathos) e a validade do argumento (logos).


Vamos começar pela parte lógica, a preparação do seu discurso. Por favor, entenda mais do que a plateia sobre o tema que irá discursar. É extremamente embaraçoso para quem apresenta (e também para quem ouve) a falta de conteúdo mínimo sobre o tema em questão. Invista um tempo planejando aspectos como a finalidade da sua apresentação, a persona a quem se destina (perfil do público-alvo), o quanto já entendem do assunto, o que eles precisam, e os recursos que você terá à sua disposição (tempo, tecnologias, local, por exemplo). Uma vez organizada sua comunicação, treine, treine e treine. Bons oradores são mestres em Gestão de Riscos, e não confiam na sorte. Todos nós já tivemos que lidar com um erro grotesco que escapou nos slides ou uma tecnologia que não funciona no momento exato da apresentação, então ensaiá-la salvará energia para você abrilhantar o discurso.


Agora vamos tornar a sua comunicação mais agradável, despertando os melhores sentimentos possíveis na sua plateia. Seja uma pessoa interessante para a plateia (você já compreendeu a persona da mesma no parágrafo anterior). Que histórias, brincadeiras e curiosidades ela valoriza? Lembre do objetivo definido e utilize os recursos que potencializem este efeito na plateia. E, por favor, facilite o trabalho da audiência: pouquíssimos públicos gostam de discursos complexos demais.


Para enaltecer sua credibilidade, as escolas de Oratória mais tradicionais recomendam um discurso dividido em seis partes. O exórdio é o início que desperta a atenção do ouvinte. A narração é a exposição dos fatos e dados ocorridos (ou como deveriam ocorrer). A divisão é a ponte entre o que anunciamos e o que falaremos. A confirmação é a apresentação dos nossos argumentos, seguida da refutação, em que combatemos os argumentos dos outros. Finalmente, a conclusão é o término do discurso.


Por falar em refutação, chegou a hora de dar aquela alfinetada nos discursos sem consistência que vemos aos montes por aí. Em tempos de mídias sociais e cursos rápidos de media training, é tanto “orador de palco” vendendo fórmulas milagrosas que o único milagre que eles costumam causar é sobre a própria conta bancária. Mas a lástima é que a audiência percebe, e não compra novamente o discurso enlatado. Fica a dica


Uma dica que eu recebi quando comecei a lecionar e que tem funcionado nas comunicações que tenho realizado é entender que a comunicação é uma via de mão-dupla. Se contarmos uma boa história COM a audiência, e não apenas PARA ela, trazemos a mesma para criar o conteúdo conosco, aumentando assim as chances de sucesso. Todos se sentem donos da apresentação, e no final é mais divertido para a audiência, e também para você, que aprende algo novo e que estava fora do script inicial.


Quer entender como engajar a audiência para ser coautor/a no seu discurso? Acompanhe os nossos conteúdos na disciplina de Comunicação, e entre em contato comigo se necessário. Vamos orar!


André Luiz Dametto é Sócio-Diretor da ALD Consultoria e lidera projetos de Treinamento Executivo e Coaching de Carreiras

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